quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uma sexta qualquer

Ela decidiu que não iria beber, pois não queria fazer algo do qual se arrependesse depois. A noite foi passando e ele foi dando adeus a sobriedade. Ele a chamava para um cigarro, ela o chamava para dançar. Os olhares eram trocados como nunca antes, os sorrisos eram constantes, a conversa era interminável. E aí aconteceu: ela foi ao banheiro e, quando voltou para a música, decidida de que ia beijá-lo, ele estava com outra. Com uma qualquer, que ele nem conhecia, que ele não tinha trocado mais do que dez palavras. Uma outra que não ela. E foi como se o mundo desabasse. Não que ela fosse apaixonada por ele, nada disso, mas foi o sentimento de impotência que tomou conta dela que a fez se sentir desse jeito. Porque ela não poderia simplesmente falar para ele como o queria? E ela sabia a resposta. Ela já tinha sido tão machucada antes, por outros, que ela decidiu criar uma barreira. Se ela não ficasse com ninguém, ninguém poderia machucá-la. Mas ela percebeu que não era bem assim. Ela percebeu que, mesmo não se aproximando, o sentimento ainda estava lá, pronto para atormentá-la, quando ela menos esperasse. Ela tinha duas opções: ir para casa, triste, ou ficar lá. Então, ela acendeu um cigarro, respirou fundo e deu um sorriso. Virou para um amigo e falou "vamos dançar?". Ela não podia impedir a tristeza de vir, mas ela podia fingir que estava tudo bem. Afinal, quantas vezes ela não o fez? A regra é clara: se você se esforçar para parecer bem, uma hora você irá se convencer de que não precisa de ajuda.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Só por uma noite

Queria que, só por uma noite, você fosse meu. Queria que, só por uma noite, nada mais importasse. Queria que, só por uma noite, você percebesse tudo que temos em comum. Queria que, só por uma noite, você imaginasse tudo que poderia acontecer se, só por uma noite, você ao menos tentasse. Queria que, só por uma noite, você me chamasse para dançar e, só por uma noite, você tomasse iniciativa. Queria que, só por uma noite, você não desistisse de mim.

domingo, 15 de maio de 2011

Depois de um longo tempo

Eu mudei, você mudou. As coisas não são mais como eram antes, ainda bem, mas de vez em quando bate uma vontade de te falar tudo. Não, eu não sinto mais nada por você, não como sentia antes, mas isso não vem ao caso. Eu tenho vontade de falar o que deveria ter dito quando toda essa história (grande parte inventada na minha cabeça, diga-se de passagem) começou. Vontade de perguntar porque você simplesmente fingia que não se importava quando eu via que você também sentia algo - e eu sempre vi mais de você do que qualquer outra pessoa viu. Quando estamos só nós dois, eu ainda tenho vontade de falar. Mas aí minha coragem se perde e cada coisa que eu falo é minimamente medida no meu cérebro, e todas as minhas ações são pensadas. E eu te garanto que, se eu mantenho essa distância toda e tomo toda essa precaução, é por causa de você. Porque, quando eu me abri sobre o que eu sentia, a única coisa boa que essa transparência de sentimentos trouxe foi a verdade de que eu precisava me preservar. É o único jeito de eu não me machucar, de novo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Aguava o bom do amor

As memórias que se misturam com fantasias, que me fazem pensar no que foi real e no que minha cabeça inventou pra me proteger de tudo isso. O álcool que corria pelo meu sangue naqueles dias, e o desejo de que ele não estivesse lá pra que eu lembrasse com nitidez o que aconteceu. A raiva que sinto por grande parte de tudo isso ter sido escrita e não dita. A vontade que tenho de te perguntar o que mudou, e porque a mudança foi tão repentina. Mas não, não posso ter nada disso. Você se afastou e me afastou de você. Não que isso seja ruim, veja bem. Me ignorar e passar a ser estúpido só me ajudou em algo que eu estava fazia tempos tentando: esquecer você. E veja só que coincidência, nossa música nunca mais tocou.

domingo, 25 de julho de 2010

Peter Pan

Sabe aquele conto infantil em que a menina e os dois irmãos viajam para a Terra do Nunca e a mãe deles fica sentada esperando, ao lado da janela, certificando-se de que ela não vai fechar para que eles consigam voltar para casa? É como me sentia em relação a isso tudo. Quero dizer, eu era a mãe que esperava incessantemente com medo de que um dia você quisesse voltar. Metaforicamente, é claro, mas o que nessa vida não é metáfora? Bom, eu percebi, finalmente, que você prefere a Terra do Nunca, um lugar sem obrigações, onde não será ser julgado pelos seus atos infantis. Eu poderia muito bem tentar ir para lá e te encontrar, mas eu percebi também que o meu lugar é no mundo real e que, antes de lutar por você, devo lutar por mim mesma. E é assim que me despeço, finalmente, e com plena consciência de que isso tudo só começou porque você estava lá na hora certa.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Desabafo

Saudade, vontade de voltar no tempo, onde tudo isso começou. Voltar e fazer diferente, voltar e conquistar e conquistar de novo. De não ter deixado acontecer do jeito que aconteceu, de ter me imposto e falado "eu gosto de você, não brinque com meus sentimentos" na hora certa. De não ter esperado alguém chegar em você antes de mim. De ter conversado sobre o "nós" (que nunca existiu e eu tenho consciência disso) quando tive chance, porque falar sobre isso hoje em dia parece impossível. Queria voltar e fazer do jeito certo. Não vou me iludir como estava fazendo e dizer que está melhor assim, porque eu sinto falta de como era antes, pra caralho. Você pode não entender o porquê de eu gostar de você, e eu falo aqui (você não vai ler, mesmo). Você me mudou. Você, sem querer ou perceber, me tirou da merda e fez o mundo passar de tons cinzas para colorido. Você, sem nem saber sorrir direito, me fez voltar a sorrir.