Ela decidiu que não iria beber, pois não queria fazer algo do qual se arrependesse depois. A noite foi passando e ele foi dando adeus a sobriedade. Ele a chamava para um cigarro, ela o chamava para dançar. Os olhares eram trocados como nunca antes, os sorrisos eram constantes, a conversa era interminável. E aí aconteceu: ela foi ao banheiro e, quando voltou para a música, decidida de que ia beijá-lo, ele estava com outra. Com uma qualquer, que ele nem conhecia, que ele não tinha trocado mais do que dez palavras. Uma outra que não ela. E foi como se o mundo desabasse. Não que ela fosse apaixonada por ele, nada disso, mas foi o sentimento de impotência que tomou conta dela que a fez se sentir desse jeito. Porque ela não poderia simplesmente falar para ele como o queria? E ela sabia a resposta. Ela já tinha sido tão machucada antes, por outros, que ela decidiu criar uma barreira. Se ela não ficasse com ninguém, ninguém poderia machucá-la. Mas ela percebeu que não era bem assim. Ela percebeu que, mesmo não se aproximando, o sentimento ainda estava lá, pronto para atormentá-la, quando ela menos esperasse. Ela tinha duas opções: ir para casa, triste, ou ficar lá. Então, ela acendeu um cigarro, respirou fundo e deu um sorriso. Virou para um amigo e falou "vamos dançar?". Ela não podia impedir a tristeza de vir, mas ela podia fingir que estava tudo bem. Afinal, quantas vezes ela não o fez? A regra é clara: se você se esforçar para parecer bem, uma hora você irá se convencer de que não precisa de ajuda.
1 ano atrás
